Um robô que tem e desperta emoções

Wall·E (Waste Allocation Load Lifter-Earth) passa os dias a juntar e compactar lixo.

Num futuro em que a Terra é abandonada após se tornar uma imensa lata de lixo, o que de mais humano há no planeta é um robô, Wall·E. A máquina tem mais humanidade que os terráqueos que fugiram a bordo de uma nave espacial e deixaram equipamentos robóticos limpando a sujeira. Setecentos anos não foram suficientes para ter o trabalho encerrado. E Wall·E era o único robô ainda em funcionamento, um aparelho eletrônico, mas a única coisa que parecia ter um coração em meio a um mundo de silêncio. WALL·E (EUA, 2008) é a animação produzida pelos computadores da Pixar e da Disney (a um custo de 120 milhões de dólares) que, além de ser um filme família (como não poderia ser diferente), dosa comédia na medida certa para contar uma história com nuances de ficção-científica na qual sobra espaço para um envolvente romance nada convencional entre robôs. Talvez haja quem tenha uma lágrima roubada no escuro do cinema...

No distante ano de 2815, um pequeno robô coletor de lixo embarca numa jornada espacial que decidirá o futuro da humanidade — em resumo, esta é a trama do filme. Se podemos chamar de realismo, o filme tem pequenos cuidados que o tornam menos inverossímil. Como um robô do tipo de Wall·E não fala (até porque ele não tem com quem falar), no filme quase não há diálogos, especialmente na primeira metade, e isso nem faz falta. A ausência de palavras só é quebrada quando Wall·E assiste a Alô, Dolly!, musical de 1969 que o robozinho encontra em VHS e gosta de ver para se alegrar (sim, porque este robô tem sentimentos). O filme foi aclamado pela crítica. Muitos o tem colocado na posição de melhor animação de todos os tempos. O filme, que teve lançamento mundial no fim de junho, ainda está em cartaz na cidade.

Uma curiosidade: apesar de Wall·E não trazer a música na edição final exibida nos cinemas, os trailers do filme tinham Aquarela do Brasil como tema. Veja abaixo um dos trailers com a canção brasileira.



WALL·E
Direção: Andrew Stanton; roteiro: Andrew Stanton e Jim Reardon (baseado em argumento de Andrew Stanton e Pete Docter); direção de fotografia e câmera: Jeremy Lasky; direção de fotografia e iluminação: Danielle Feinberg; edição: Stephen Schaffer; música: Thomas Newman; desenho de produção: Ralph Eggleston; produção: Jim Morris; companhias produtoras: Pixar Animation Studios e Walt Disney Pictures. Duração: 1h37min.
Versão brasileira com as vozes de Claudio Galvan (Wall·E), Sylvia Salustti (Eva), Reginaldo Primo (Comandante), Manolo Rey (M-O) e Guilherme Briggs (Auto). Versão original com as vozes de Ben Burtt (Wall·E / M-O), Elissa Knight (Eva), Jeff Garlin (Comandante) e o programa de computador MacInTalk usado para a voz de Auto.
Classificação indicativa: livre.

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