História efêmera

Escrever sobre si mesmo é algo difícil. Redigir sobre quem lhe paga o salário também não é fácil. Uma notícia do jornal O Povo de hoje comprova um pouco isso. Aliás, "um pouco" é eufemismo diante do texto que carregou nas tintas no enaltecimento ao jornal — e a edição não usou a tesoura para aparar esses excessos. "Convocação à luta em defesa do Ceará marca homenagem ao O Povo" já é um título que vai além do que noticia: uma sessão solene pelos 80 anos do O Povo na Assembléia Legislativa do Ceará.

No texto principal sobre a homenagem, no qual quem mais se cita é o dono do jornal, o repórter diz que a sessão foi um "evento histórico". Quem deverá lembrar disso daqui a um ano? Talvez alguns dos que estavam presentes à sessão, que, por sinal, não contou nem com metade dos deputados (havia apenas 17 dos 42). Que outros veículos de comunicação deram a notícia? Exceto os do mesmo grupo, nenhum. Ao deixar passar em branco evento com a importância atribuída pela matéria, o restante da mídia deve mesmo estar dando as costas para a história de nosso estado.

O texto, que não é assinado (matéria recomendada pelos chefes não se assina), não é tão ruim como pode fazer pensar esta crítica — esta, sim, mal escrita. Mas chamar a tal homenagem de "evento histórico"... Ah, isso doeu!

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