Durante e durante

A comparação que já circulava pela internet ontem ganhou hoje o merecido espaço na capa do O Povo, em chamada para matéria sobre a alta taxa de transmissão de covid no Ceará. Em Fortaleza, em média, 72 pessoas são contaminadas pelo coronavírus e 4 perdem a vida a cada dia.

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Publieditorial?

Quando um jornal publica uma nota que traz como título o nome da empresa que realizou a testagem laboratorial de seus funcionários, que voltavam ao trabalho presidencial em meio à pandemia de covid, trata-se de publieditorial? O Código de Ética e Autorregulamentação da Associação Nacional de Jornais (ANJ) diz que os afiliados à entidade devem comprometer-se a "diferenciar, de forma identificável pelos leitores, material editorial e material publicitário". A depender das tratativas de permuta, existe uma zona sem clareza sobre o que é editorial e o que é publicidade.

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"Medir temperatura não faz mal", uma notícia

A Folha publicou matéria na sua edição impressa de hoje para informar: "É falso que medição de temperatura na testa cause danos à saúde". Uma loucura ser preciso que a imprensa leve esse tipo de explicação ao público, e mais loucura ainda muita gente duvidar dessa explicação.

"Sério..."

Foi Rosana Hermann quem, no Twitter, chamou atenção para cada uma das expressões dos personagens que acompanham o presidente da República na foto que ilustra a matéria "Congresso perdoa dívidas de R$ 1 bilhão de igrejas; Bolsonaro precisa sancionar", publicada na edição de ontem (7) do Estadão. "Sério..."

Foto: Isac Nóbrega / PR

Os jornais e as manifestações esvaziadas com as quais simpatizam

A principal foto na capa da Folha de hoje (mostrando um único automóvel) é da carreata a favor da Lava Jato, que reuniu 200 veículos na capital paulista. O que representam 1.000 pessoas (provavelmente menos) numa cidade de mais de 12 milhões de pessoas? Os interesses do jornal.

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O jornal O Povo deu também espaço em sua capa com chamada para as carreatas pró-Lava Jato, sem representatividade demográfica - a maior delas reuniu não mais que 1.000 pessoas em São Paulo. Que causas ganham tal espaço nos jornais com manifestações dessa envergadura?

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As manifestações foram tão minguadas, característica não mencionada nos relatos vistos nas reportagens, que, a exemplo da foto na capa da Folha, a imagem escolhida para ilustrar a matéria do O Povo foi a de um único veículo, na carreata de Brasília, de proporção desconhecida.

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Casarão centenário incendiado já foi Hotel Central

O casarão no Centro de Fortaleza tomado por incêndio na noite de ontem tem mais de 110 anos e já foi o Hotel Central, registra o site Fortaleza Nobre. Para o Corpo de Bombeiros, ouvido pelo O Povo, o casarão corre risco de desabar, após a queda do teto e rachaduras na estrutura.

É preciso acompanhar com atenção se haverá preocupação em manter de pé as paredes externas centenárias do casarão incendiado ontem.

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(Foto: Patrícia Karam / Twitter)

A Festa

No caminho do quarto até a cozinha, já havia passado pela sala quando nota algo fora do lugar. Perto da porta, uma carta. Não parece um boleto de cobrança, o único tipo de correspondência que recebe desde que a mulher o deixou, dois anos atrás. Abre com um cuidado que não costuma dispensar às coisas que manuseia. Lê um convite para o aniversário de trinta anos da turma do curso de jornalismo da faculdade. No segundo em que se dá conta de que não havia lido seu nome no envelope ao abri-lo, vê que o convite  só poderia ser para ele próprio, ainda que se recuse a crer que três décadas já se tenham passado desde sua formatura.

Depois da separação e do desemprego - o motivo que enxerga para a mulher ter lhe trocado por outro -, arranjou um bico de revisor numa pequena gráfica a vinte quadras de casa. Vai e volta em caminhadas nas quais é recorrente pensar sobre até quando existirão pequenas gráficas. Numa dessas caminhadas, decide que irá à festa. Sua preocupação é como se ambientar entre pessoas que não vê há eras. Treina conversas triviais na fila do supermercado e se dá por satisfeito.

É o dia. No endereço do convite, uma casa que nunca viu. O portão destrancado é facilmente superado. O som de copos de vidro, palavras indecifráveis e gargalhadas o fazem sentir que está no lugar certo. Sua recepção são alguns olhares discretos de estranhamento, de quem parece querer reconhecê-lo sem conseguir. Não sabe a quem dirigir-se para dizer que já estava ali. Como não traz nada nas mãos para entregar a ninguém, segue casa adentro sem desespero.

Vê um rosto conhecido - talvez seja Carlos seu nome. Lembra-se de já o ter encontrado alguma vez na vida, mas não acha que já estudaram juntos. O homem vem ao seu encontro com um sorriso simpático no rosto e um copo de cerveja na mão. "Olha o José! Eu não esperava encontrar você aqui. Lembra de mim? O Carlos", diz o homem. "Claro! Eu também não esperava você aqui", responde José. A confirmação de que se conheciam é uma dose de relaxamento, completada com a bebida oferecida por Carlos. José diz que prefere vinho e pergunta se não há algum supermercado por perto, porque só então percebeu que não está num bar para pagar pelo que for beber. Carlos o tranquiliza: todos na festa estão avisados de que a bebida é por conta da anfitriã.

Levado por Carlos para uma roda de conversa, José continua sem reconhecer ninguém no grupo. Nem no outro, também levado por Carlos. Nem no vizinho, aonde se dirige depois de ver uma mulher que acha bonita. Nem no que entra após avistar uma garrafa de vinho cheia, perfeita para seu copo vazio. Nessa festa de estranhos, refugia-se na cozinha. Tem papos de um minuto com um ou outro que aparece rumo à geladeira.

Carlos já não é visto há um bom tempo. José decide então ir embora, mas passar por aquela sala cheia de gente é algo que lhe aterroriza. "Se alguém percebe que estou indo embora, vem despedir-se, não me reconhece, acha que sou um penetra e chama a polícia?", fantasia. Roteirizar situações constrangedoras e deixar José tomar-se pelo medo delas é um exercício sádico de seu inconsciente. A polícia é algo que ele especialmente teme, desde que a mulher o deixou. Permanece na cozinha até que alguma ideia melhor venha à mente. A bebida, pelo menos, está ali a seu alcance.

José começa a abrir uma garrafa de vinho quando a cozinha subitamente fica às escuras. Alguma interjeição que escapa naquele momento surpreende Carlos, que desligou a lâmpada da cozinha sem imaginar que ainda houvesse algum convidado em sua casa. "A festa acabou, a luz apagou, o bonde não veio. E agora, José?", cantarola Carlos na cadência do poema de Drummond musicado por Paulo Diniz, em sua tentativa de tornar espirituosa aquela estranha situação com seu oculto último convidado. "Acho que já disse isso hoje: eu não esperava encontrar você aqui", continuou, com o mesmo sorriso simpático que recebeu José horas antes. O sorriso dá lugar a gargalhadas que Carlos tenta segurar, enquanto pede desculpas e diz que precisa lhe falar algo extraordinário.

"Você virou o assunto enquanto estava aqui exilado. Todo mundo me perguntando quem era. Minha mulher, a Julieta, que é dessa turma que completou trinta anos, foi quem resolveu o mistério: você não é da turma. Foi um mal entendido, coisa de homônimo. José de Oliveira não é um nome lá muito incomum. Tenho certeza que você mesmo daria ótimas risadas com a gente, mas ninguém imaginava que você ainda estava aqui!"

José ri o que é possível, depois de uma noite com medo dos policiais que rondavam sua imaginação. Ri por ter passado a noite bebendo de graça na casa de gente que mal conhece. E ri de si, o grande estranho da noite, tão bem recebido. José despede-se de Carlos, que vê na mesa a garrafa de vinho que seu convidado não abriu. "José, uma lembrança desta festa, que foi tão sua, pelo tanto que falaram de você. Tome, este Periquita é seu".

A garrafa está reservada por José para um jantar especial, que, em seus sonhos, terá quando sua mulher voltar.

Ceará é o 5º estado com menor renda

Com renda média mensal por habitante calculada em R$ 561,47, o Ceará é o 5º estado com menor renda, segundo a pesquisa "Onde Estão os 'Ricos' no Brasil?", da FGV. Fortaleza, com R$ 1.363,18 mensais por habitante, tem a 10ª menor renda entre as capitais.

Entre os municípios do CE, Fortaleza é superada por Eusébio, que tem renda média mensal de R$ 1.1810,86 (91ª maior do país - a de Fortaleza é a 250ª). Em seguida vêm Crato (535,27 - 1943ª), Sobral (511,67 - 2029ª), Juazeiro do Norte (466,98 - 2240ª), e Barbalha (432,26 - 2423ª). 

A pesquisa leva em conta dados das declarações do imposto de renda. Em Fortaleza, apenas 14,2% da população declara o I.R., o que, em alguma medida, é um indicador da pobreza da cidade. Esses 14,2% da cidade têm em média renda mensal de R$ 9.596,83 e patrimônio de R$ 267.386,25.

Estado decreta área para novo aeroporto de Sobral

O governo do CE vai desapropriar área de 5,59km² (559ha) para implantar o novo aeroporto de Sobral, a cerca de 20km do centro da cidade, no distrito de Patriarca. A área tem acesso pela rodovia estadual que liga Sobral a Santana do Acaraú. Decreto de utilidade pública saiu ontem.

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TRT7 vai gastar até R$ 23.390 com togas e capas

O Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (TRT7), sediado em Fortaleza, vai gastar até R$ 23.390 para comprar togas e capas para uso de desembargadores, juízes, advogados e secretários. Item mais caro, cada toga para uso dos desembargadores em sessões solenes custará até R$ 549.

Fonte: http://www.in.gov.br/web/dou/-/aviso-de-licitacao-218045674

Os 121 bairros oficiais de Fortaleza (com mapas)

Pra acabar com as dúvidas sobre os bairros de Fortaleza e seus limites, o prefeito baixou o Decreto nº 14.498/2019. A cidade tem oficialmente 121 bairros.

Segundo o decreto, com mapa de cada um dos bairros: Gentilândia não é bairro; o antigo Mata Galinha foi fundido com o Castelão como o nome Boa Vista/Castelão; São João do Tauape perdeu o santo e é só Tauape. Outra novidade: a divisão da cidade em 12 distritos e 39 subdistritos.

Fonte: https://diariooficial.fortaleza.ce.gov.br/download-diario.php?objectId=workspace://SpacesStore/317a341a-8ee6-44d0-b8ad-1a9f1cb25451;1.0&numero=16590s (arquivo com 205MB)

Banco do Nordeste pagará R$ 31.491 por banheiro

O Banco do Nordeste vai pagar R$ 31.491 pela construção de um banheiro acessível na agência da Av. Bezerra de Menezes. Não houve licitação, porque lei federal de 2016 dispensa concorrência em empresas públicas para obras de engenharia de até R$ 100.000.

Fonte: http://www.in.gov.br/web/dou/-/extratos-de-autorizacao-de-fornecimento-217794399

Publicidade da Unifor vendida como jornalismo no DN

Sempre que fala da Unifor, o Sistema Verdes Mares faz publicidade como se fosse jornalismo. Se é pra dizer que a universidade mantida por fundação ligada ao SVM é uma das "melhores do mundo", não poderia tirar da matéria em qual posição ela está no ranking: pra lá do 1000º. https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/editorias/metro/universidade-de-fortaleza-esta-entre-as-melhores-do-mundo-1.2149013

No mesmo setor do ranking, que põe num mesmo grupo as universidade a partir do 1000º lugar, sem indicar a colocação individual de cada uma, a Uece e a UFC estão junto com a Unifor. As outras duas universidades localizadas em Fortaleza nem foram citadas na "matéria" do DN.

Além da pontuação geral que define o ranking, que entre as três citadas ficou entre 10,7 e 22,1, há a indicação de pontos em 5 quesitos. A UFC teve a melhor posição em 3 deles; a Unifor, em 2. A Unifor teve a pior posição em 3 dele; a Uece, em 2. https://www.timeshighereducation.com/world-university-rankings/2020/world-ranking#!/page/0/length/25/sort_by/rank/sort_order/asc/cols/stats